Skip to content
1 de junho de 2017 / dosesdeincoerencia

Dos anos

Até os 7, tudo era diversão
O maior problema era a hora de dormir
Quando a diversão tinha que terminar
Tabuada, lanche, brincar e dormir depois do almoço

Aos 13, senti um amor que não entendi
Finge que não existia, joguei fora e esqueci

Aos 16 veio a primeiro decepção
Traição!
Um adeus cheio de fogo e erupção

Aos 22 tudo mudou, um amor diferente entrou
Mas tão permaneceu
Era muita imaturidade ainda
A sobriedade passava longe de existir

Aos 25, a descoberta do mundo
Do desejo mais carnal
Da diversão sem limites

Aos 26, o amor chegou
Mansinho, como quem pisa em chão frio de madrugada
Aos 27 o compromisso
Casamento, amigos enchendo a casa de sorriso e cerveja

Aos recém 28, tudo andava normal
Até que logo depois (não muito, bem logo mesmo)
algo descarrilhou e já não sei mais onde me leva esse bonde

Hoje temo os próximos anos
Mas não mais que os próximos dias
Ou menos que o próximo mês

– Ei, para esse bonde! Eu só não quero (me) perder!

Anúncios
1 de junho de 2017 / dosesdeincoerencia

Nada

Nada acontece
Nada muda
Tudo está intacto e no mesmo lugar

Já é o terceiro copo de cerveja
E nada me espera lá fora
Ou aqui dentro

Do futuro também
Parou de fazer promessas e mostrou sua verdadeira cara
Cara de nada

Era tanto tudo sempre
Que o nada não só me é desconhecido
Como me assusta

31 de maio de 2017 / dosesdeincoerencia

Domingo

Tira o Domingo de folga?
Quero que sintas, sem pressa, todas as dores dessa despedida comigo
Até que a dor seja tal que se transforme em esperança
E você me peça para ficar

Me pede para ficar?!!
Desiste dessa ideia boba de ter que provar algo para o mundo
Vem viver comigo, onde não precisa de prova
Onde você já é, e eu também já sou
Vamos ser de novo EU e TU:
Corpos diferentes, mas em constante sintonia

Lembra dessa nossa conexão?
Quando eu te despertava do pesadelo, te abraça e tudo fazia sentido
Ou quando você me esperava quase prevendo o meu choro
E a batida do teu coração era o ritmo perfeito para minha calma

Não desconecta de mim!!!

Tenho medo que se eu for, meu bem, eu não saiba mais voltar!

Me pede para ficar!!!!

31 de maio de 2017 / dosesdeincoerencia

Das mudanças

Sempre que mudo de casa, mudo também de vida
Escolho uma nova vida para ser, e sigo
Mudo os vizinhos
Os amores
Os amigos
A cerveja preferida

Engraçado me dar conta disso e perceber que o amor, desta vez, não quer se mudar

Vai continuar aqui
Saudoso, doído, sangrando
Sentindo toda a amargura de uma mudança compulsória
Não escolhi a próxima vida ainda
Porque não quero mudar

Quero essa vida,
com você,
do seu lado.

Mas diante da sua mudança, já percebo que minha caligrafia muda
E a forma de pegar na caneta é diferente de antes
Diante a estes sinais de uma mudança que não quer acontecer,
fico me perguntando:
o que fica de mim?

O que ficará de nós?

31 de maio de 2017 / dosesdeincoerencia

Dos sonhos

Meus momentos de sonho tem sido mais plenos que quando desperta

Sonho que você chega e me abraça na cama
Que a gente passa a noite se curtindo e sentindo prazer
No meu sonho você ainda lembra o que nos uniu até aqui, porque eu fiquei por todo esse tempo
E na sua lembrança ressurge a vontade de me ter
Sonho que a gente realiza o que planejou no início de tudo
E que já faz tanto amor que nunca mais choveu dúvida

Abro os olhos, me percebo desperta
E um rio surge nos meus olhos

Busco desesperadamente voltar a dormir
Para no sonho te ter para mim de novo

24 de maio de 2017 / dosesdeincoerencia

Da nova paixão

ontem conheci Matilde Campilho
E minh’alma subitamente se viu arrebatada
É tanta beleza no amor e na dor, tanta sobriedade e leveza que me vi flutuando pela sala
Sinto falta de flutuar…

Engraçado que tinha tanto para falar, mas ainda arrebatada minha mente se vira para palavra flutuar
Chega a ser gostoso pronunciar, quase tão bom quanto sentir
Mesmo que agora só pela lembrança

24 de maio de 2017 / dosesdeincoerencia

Do frio que faz

O que me machuca nem é tanto o seu desamor
Mas muito mais a indiferença
É saber que o modo que te fazia sorrir antes já não faz mais sentido
As brincadeiras se tornaram inconvenientes
As palavras cheias de nada
A casa cheia de espaços vazios, principalmente quando estamos nós duas.

As vezes quando estás ao meu lado chego a gelar por dentro
O ar sai gélido de seus poros e tua frieza alcança até minhas vísceras
Aliás, matastes todas as borboletas que por lá voavam